Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo, o casamento é uma das mais belas instituições criadas por Deus. É o reflexo terreno do amor de Cristo por Sua Igreja, uma aliança sagrada desenhada para santificação, companheirismo e glória a Deus. No entanto, desde o Éden, sabemos que a jornada a dois é repleta de desafios. Vivemos em um mundo caído, e nossas naturezas pecaminosas muitas vezes transformam o lar, que deveria ser um refúgio, em um campo de batalha. As palavras, que deveriam edificar, tornam-se armas que ferem profundamente. A boa notícia, amados, é que Deus não nos deixou órfãos de sabedoria. A Sua Palavra nos oferece princípios poderosos para uma comunicação que cura, que restaura e que fortalece. Neste artigo, vamos mergulhar juntos no conceito de ‘comunicação não-violenta’, não como uma técnica secular, mas como a aplicação prática do amor, da paciência e da sabedoria que emanam do próprio coração de Deus.
O Princípio Bíblico: Uma Aliança de ‘Uma Só Carne’
Antes de discutirmos técnicas de comunicação, precisamos solidificar nosso alicerce. O casamento, na perspectiva bíblica, não é um contrato social que pode ser desfeito quando as ‘cláusulas’ não são cumpridas. É uma aliança, um pacto selado diante de Deus. Quando o Senhor instituiu o casamento, Ele disse:
“Portanto, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” (Gênesis 2:24)
O conceito de “uma só carne” é profundo e revolucionário. Significa que a sua alegria é a alegria do seu cônjuge. A sua dor é a dor dele. O seu sucesso é o sucesso dela. Não existem mais ‘meus’ problemas e ‘seus’ problemas; existem ‘nossos’ problemas. Quando você fere seu cônjuge com palavras ásperas, está, na verdade, ferindo a si mesmo, pois vocês são um.
O apóstolo Paulo aprofunda essa verdade em Efésios 5, comparando a relação matrimonial com a de Cristo e a Igreja. Ele ordena ao marido amar a esposa “como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (v. 25) e à mulher que respeite seu marido. Esse é o padrão divino: amor sacrificial e respeito mútuo. Qualquer forma de comunicação que viole esses dois pilares está desalinhada com a vontade de Deus para o seu casamento. A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (leia Provérbios 15:1). Esse versículo deve ser o lema do nosso lar.
Analisando a Raiz dos Conflitos Destrutivos
Se entendemos o princípio bíblico, por que ainda brigamos de forma tão destrutiva? Como pastor, tenho visto que os conflitos raramente são sobre o motivo aparente (a toalha molhada na cama, a conta não paga, o atraso para o culto). A raiz é sempre mais profunda.
O Egoísmo Inerente: A nossa natureza caída, como descrita em Romanos 7, nos inclina a buscar nossos próprios interesses. Queremos estar certos. Queremos vencer a discussão. Queremos que nossas necessidades sejam atendidas, muitas vezes em detrimento do nosso cônjuge. Tiago 4:1 pergunta: “De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?”. A guerra no lar começa com a guerra dentro de nós.
Bagas e Feridas do Passado: Muitos de nós entramos no casamento carregando feridas de relacionamentos passados ou da nossa criação. Talvez tenhamos crescido em um lar onde gritos e acusações eram a norma. Inconscientemente, replicamos esses padrões tóxicos. Não aprendemos a comunicar de forma saudável e, sem a intervenção do Espírito Santo e a busca por sabedoria, o ciclo se perpetua.
Expectativas Irreais: A cultura, os filmes e as redes sociais pintam um quadro irreal do casamento. Esperamos um romance perpétuo sem esforço, um parceiro que adivinhe nossos pensamentos e satisfaça todos os nossos desejos. Quando a realidade do dia a dia se impõe, a frustração se instala e pode explodir em conflitos.
Ataques Espirituais: Nunca subestime o fato de que Satanás odeia o casamento. Ele sabe que um casamento forte e unido é um testemunho poderoso do Evangelho. Por isso, ele trabalhará incansavelmente para semear discórdia, desconfiança e amargura. Ele explora nossas fraquezas e sopra brasas de irritação até que se tornem um incêndio. Para entender mais sobre como superar os principais desafios, leia o excelente artigo do Foco na Família sobre como superar conflitos no casamento.
A Solução Prática: 4 Passos para uma Comunicação que Edifica
A comunicação não-violenta, à luz da Bíblia, é simplesmente a aplicação prática de Filipenses 2:3-4: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.” Aqui estão quatro passos práticos para transformar suas discussões.
Passo 1: Observe sem Julgar (Seja Tardio para Falar)
Tiago 1:19 nos instrui a sermos “prontos para ouvir, tardios para falar, tardios para irar”. O primeiro passo em um conflito é descrever o que aconteceu de forma objetiva, sem acusações ou generalizações como “você sempre” ou “você nunca”.
- Errado: “Você nunca me ajuda com as crianças! É sempre um folgado!”
- Certo: “Amor, quando eu estava preparando o jantar, cuidando do dever de casa do nosso filho e o bebê começou a chorar, e eu vi você no celular, eu me senti sobrecarregada.”
A segunda frase descreve um fato observável, sem atacar o caráter do outro. Isso abre a porta para o diálogo, em vez de fechá-la com uma acusação.
Passo 2: Expresse seus Sentimentos (Seja Vulnerável)
Deus nos criou com emoções. Expressá-las não é sinal de fraqueza, mas de honestidade. Use a primeira pessoa: “Eu me sinto…” em vez de “Você me faz sentir…”. Assuma a responsabilidade por seus sentimentos.
- Errado: “Você me irrita quando chega tarde do trabalho!”
- Certo: “Quando você chega tarde sem avisar, eu me sinto preocupada e um pouco solitária.”
Isso convida à empatia, em vez de gerar uma postura defensiva.
Passo 3: Identifique suas Necessidades (Seja Honesto)
Por trás de todo sentimento negativo, existe uma necessidade não atendida. É uma necessidade de segurança? De respeito? De conexão? De ajuda? Seja claro sobre qual é a sua necessidade.
- Errado: “Você só se importa com seu dinheiro!”
- Certo: “Quando vejo uma compra grande na fatura do cartão que não discutimos antes, eu me sinto insegura, porque eu preciso de transparência e de sentir que estamos tomando decisões financeiras juntos como um time.”
A clareza sobre a necessidade ajuda o cônjuge a entender a raiz do problema, em vez de focar apenas no sintoma.
Passo 4: Faça um Pedido Claro e Positivo (Seja Construtivo)
Finalmente, em vez de fazer uma exigência ou uma crítica, faça um pedido específico, positivo e prático. Um pedido abre a possibilidade de o outro dizer ‘sim’ por amor, não por obrigação.
- Errado: “Pare de ser tão bagunceiro!”
- Certo: “Você estaria disposto a, quando chegar do trabalho, colocar a sua mochila e sapatos no armário para mantermos a sala mais organizada para nós e para as visitas?”
Essa abordagem é respeitosa e foca na solução. A editora Fiel publicou muitos recursos valiosos, e você pode encontrar artigos que aprofundam a importância da comunicação no casamento.
A Arma Secreta: O Poder da Oração a Dois
Amados, nenhuma técnica de comunicação, por melhor que seja, pode substituir o poder do Espírito Santo agindo em seu casamento. A oração a dois é a arma espiritual mais poderosa que um casal possui. É o ato de humildade que convida o Mediador perfeito, Jesus Cristo, para o centro do seu conflito e do seu lar.
Quando vocês oram juntos, algo milagroso acontece. O orgulho se dissipa. É impossível manter a raiva e o ressentimento quando se está de mãos dadas, na presença do Pai, intercedendo um pelo outro. A oração alinha seus corações com o propósito de Deus para o seu casamento, que é muito maior do que qualquer briga momentânea.
Não esperem a crise chegar para orar. Façam da oração um hábito diário. Orem juntos ao acordar, antes de dormir, sobre suas finanças, sobre seus filhos, sobre seus medos e sonhos. E quando o conflito surgir, tenham a coragem de parar tudo e dizer: “Amor, antes de continuarmos, vamos orar”. Essa pausa convida o céu para a sua discussão e muda completamente a atmosfera.
A oração constrói uma intimidade espiritual que transcende a física e a emocional. É o cordão de três dobras que não se pode quebrar, mencionado em Eclesiastes 4:12. Vocês dois, unidos por Deus. Para se inspirarem, busquem por um devocional para casais que possa guiar esse tempo precioso.
Perguntas Frequentes (FAQ para Casais Cristãos)
1. Quem deve cuidar das finanças do casal?
A Bíblia não designa um ‘ministro das finanças’ no casamento. Como são ‘uma só carne’, as finanças são ‘nossas’, não ‘minhas’ ou ‘suas’. A abordagem mais sábia é a de trabalho em equipe. Geralmente, um dos cônjuges tem mais habilidade ou dom para organização e planejamento. Essa pessoa pode assumir a liderança na execução do orçamento, mas as decisões importantes (investimentos, grandes compras, doações) devem ser tomadas em conjunto, com total transparência e concordância. Orem juntos sobre suas finanças e busquem sabedoria em Provérbios.
2. E se nossas famílias de origem se intrometerem demais?
O princípio fundamental está em Gênesis 2:24: “deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher”. ‘Deixar’ é um ato de estabelecer uma nova unidade familiar, com sua própria identidade e regras. Isso deve ser feito com amor e honra aos pais (Êxodo 20:12), mas com firmeza. O casal precisa conversar e estabelecer limites saudáveis juntos. A lealdade primária de vocês agora é um para com o outro. Apresentem uma frente unida ao comunicar esses limites às famílias, sempre de forma respeitosa.
3. Como lidar com a diferença de desejo sexual (libido) no casamento?
Este é um desafio muito comum. A chave é a comunicação aberta, empática e livre de vergonha. 1 Coríntios 7:3-5 é claro: o corpo de um pertence ao outro, e não devem se privar, a não ser por mútuo consentimento e por um tempo determinado. A intimidade sexual no casamento é uma bênção e deve ser tratada com cuidado. O cônjuge com maior desejo precisa ser paciente e não pressionar, e o com menor desejo precisa se esforçar para entender a necessidade do outro e não usar o sexo como arma ou moeda de troca. Busquem entender as causas (estresse, cansaço, questões hormonais) e sirvam um ao outro em amor, buscando o prazer do cônjuge antes do seu.
4. É pecado nós, como casal, assistirmos a filmes e séries seculares?
A Bíblia nos dá um princípio em Filipenses 4:8: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, и se há algum louvor, nisso pensai.” A questão não é se é ‘secular’ ou ‘gospel’, mas sim: ‘Isso edifica nosso casamento? Isso nos aproxima de Deus? Isso polui nossa mente com imoralidade e violência?’. O casal deve, com maturidade e guiado pelo Espírito Santo, estabelecer seus próprios padrões. O que é aceitável para um casal pode não ser para outro. A liberdade em Cristo não deve ser usada como pretexto para a carnalidade (Gálatas 5:13).
5. É pecado brigar? Se eu sentir raiva do meu cônjuge, estou pecando?
Sentir raiva não é, em si, pecado. Efésios 4:26 diz: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”. A ira é uma emoção humana. O pecado reside no que fazemos com ela. Se a ira nos leva a gritar, ofender, guardar amargura ou agir com violência, então pecamos. O conflito de opiniões é normal e até saudável. A briga pecaminosa é aquela que busca ferir, humilhar e vencer o outro. O mandamento é resolver o problema rapidamente, no mesmo dia, para não dar lugar ao Diabo. A confissão de pecados um ao outro (Tiago 5:16) e o perdão são essenciais para a saúde do casamento. Se precisar de mais recursos, o site Focus on the Family é uma fonte inestimável de conselhos práticos.
Conclusão
Querido casal, lembrem-se que seu casamento é um farol. A maneira como vocês se amam, se perdoam e se comunicam em meio às tempestades da vida é um dos testemunhos mais poderosos do poder transformador de Cristo para um mundo que observa. Não desanimem com as falhas. A cada dia, a misericórdia de Deus se renova. Submetam sua comunicação, suas finanças, sua intimidade e seus conflitos ao senhorio de Jesus. Com Ele como o centro, a aliança de vocês não apenas sobreviverá, mas florescerá para a glória de Deus Pai. Que a paz de Cristo seja o árbitro em seus corações.

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